Parto Domiciliar Planejado Florianópolis - Hanami
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Parto de Gabriela - Nascimento de IsabelRelato de Parto da Gabriela – Nascimento da Isabel

O inverno já havia chegado. Com 37 semanas a equipe de parto domiciliar começou a nos visitar. Eram quatro pessoas, Vânia, Joyce, Renata e Iara. Estávamos muito contentes com a nossa opção. Renato sempre teve muita certeza de que tudo ia dar certo, ele não tinha dúvidas de que o parto domiciliar era a melhor opção para todos nós, isso me ajudava muito.

No dia 6 de agosto completei 40 semanas, e a noite comecei a ter contrações sem dor e sem muito ritmo certo. Na manhã do dia sete liguei pra Joyce e ela veio até em casa me avaliar pra ver se eu estava em TP, mas era apenas uma preparação do meu corpo...para o grande dia. Na quarta feira comecei a ter algumas contrações com dor à noite, pareciam cólicas, não dormimos muito bem na noite de quarta pra quinta. Então na quinta feira de manhã eu liguei pra equipe e a Joyce veio até em casa, constatou 2cm de dilatação mas contrações ainda sem ritmo certo, e disse que poderia nascer naquele dia ou no dia seguinte! 

Não almocei muito bem e dormi pouco à tarde, pois já estava sentindo dor nas contrações. Caminhamos e no fim do dia a Vânia e a Iara vieram me examinar. Quando elas chegaram me examinaram e disseram que eu deveria chamá-las quando estivesse com contração de 5 em 5 minutos. Pronto, foi irem embora e começaram as contrações de 5 em 5 min ...eu disse para o Renato ligar pra elas voltarem. Eram umas 9 horas da noite.

Na tentativa de achar uma posição confortável eu descobri que se sacudissem minhas pernas durante a contração eu relaxava...e assim foi. Descobri também que durante a contração se falassem pra eu relaxar, tipo relaxa os ombros, respira etc eu meio que despertava da contração e descontraía meu corpo.  Então imagine só...escalei o Renato, meu companheiro, como representante oficial da minha técnica, aí era assim...quando vinha a contração o Renato tinha que sacudir minhas pernas e falar comigo. Quando ele parava de falar (lógico, às vezes ele se sentia meio maluco repetindo as mesmas palavras!!) parecia que doía mais...portanto...sacudindo e falando. E assim foi.  Mais ou menos uma hora e meia depois chegaram Iara e sua filha Nina e a Renata. 

Passei umas 3 horas sentada no sofá (no esquema sacode pernas e fala), sentia dores no baixo ventre, tipo cólica bem forte, então colocamos uma bolsa de água quente lá, foi ótimo. Tentamos um escalda pés...mas não deu certo...eu queria que chacoalhassem minhas pernas durante a contração. Tentei depois a bola suíça como alternativa pra sair do sofá...mas meu negócio era sacudindo as pernas, não me encontrei na bola. Nesse meio tempo chegou a Larissa, uma amiga que veio colaborar. Iara sumiu com meu relógio, eu já não sabia mais quando viriam as contrações.

Iara e Renata aplicaram um adesivo que tem um metalzinho em um ponto de acumpressão na minha canela (sei lá o nome dessa técnica!!) e após isso minhas contrações começaram a vir de 3 em 3 minutos, isso era 1:30 da madrugada. Bom, aí eu já não tava mais aguentando ficar no sofá no esquema sacode e fala. Levantei e resolvi andar com o Renato pela casa. Eu praticamente andava de olhos fechados, porque cada vez que eu tinha contração eu fechava os olhos...acho que era automático. E assim fomos, andando pela casa, abraçados, em passos de tartaruga.

Durante esse período elas foram arrastando móveis, enchendo a piscina, guardando a louça da cozinha. Bom, aí já eram 3 horas da madrugada. Eu não tinha mais posição, resolvi tentar o chuveiro. Lá fomos eu e Renato pro chuveiro.  Era inverno e eu coloquei o chuveiro no máximo, que chuveiro bom, a dor já não era mais no baixo ventre e sim lá embaixo das costas.  Cada vez que a contração vinha eu me pendurava no Renato. Tentei novamente a bola suíça, definitivamente não foi dessa vez, a bola não era pra mim.  Eu já não sabia mais de quanto em quanto tempo vinham as contrações, às vezes parecia que ela nem ia, ficava direto uma atrás da outra. Depois de exatamente uma hora no chuveiro, resolvemos sair. Pra colocar a roupa foi outra situação...tinha que esperar a contração passar pra colocar cada peça. 

Logo chegaram a Vânia e a Joyce, isso deveriam ser umas 5 da manhã.  Outro exame, acho que eu estava com 8cm de dilatação. Nesse momento minha bolsa rompeu. Eu estava tão na partolândia que nem vi liquido nenhum.  A partir daí eu fui pra piscina. As contrações vinham e eu sentia vontade de fazer força pra baixo.  A água estava quente, bem quente, foi bom entrar na piscina. Relaxei, pensei até que as contrações tinham espaçado, mas que nada, acho que eu perdi a noção do tempo mesmo.  Bom, daí pra frente fui fazendo força, de cócoras, com o Renato me apoiando por trás. 

O dia foi amanhecendo, os meus cachorros acordando e eu lá.  Então numa forte contração saiu a cabeça da Isabel. Eu sinceramente nem consegui ver, estava tão envolvida com a história das contrações e de fazer força que nem notei que a cabeça dela estava lá.  Na contração seguinte saiu o corpinho. Iara amparou Isabel. Eu, que naquele momento fiz a maior força da minha vida, demorei alguns segundos pra abrir os olhos e perceber que ela estava ali já...no meu colo, linda, forte, cheia de vérnix. Deu uma resmungadinha (pra mostrar que estava viva!!).

Nasceu as 7:19 do dia 10 de agosto de 2007. Pesava 3,485kg e media 49cm. Apgar 9/10. Era tanta emoção, tanta novidade, na hora eu não sabia o que fazer, foi quando a Vânia me disse que não era preciso fazer nada. Éramos nós, no tão esperado momento, depois de tanto trabalho, o grande encontro. Fiquei mais uns 5 minutos dentro da água com ela, foi quando a Joyce sugeriu que eu saísse e fosse para o quarto pra verem como estava o sangramento, esperar a placenta e etc. Bom, eu que já estava de cócoras há um tempão, quase não dei conta de levantar. Isabel ligada a mim pelo cordão, só eu podia segurar. E lá fomos nós duas, praticamente guinchadas da piscina e amparadas até o quarto.  Deitadas na cama, Isabel no meu colo, mamou pela primeira vez. Elas me limparam, saiu a placenta, e fizeram a sutura de uma laceração que tive no períneo.   Renato cortou o cordão umbilical. Limparam Isabel, pesaram, mediram, fizeram alguns testes e colocaram uma roupinha nela.

Eu estava muito cansada, fiquei deitada na cama, Renato acompanhou esse processo. Elas arrumaram tudo na sala. Trouxeram chocolate, assaram uns pães de queijo, tomei um suco de uva e comi um caju com melado.  As enfermeiras ficaram mais um pouco, deram algumas orientações e foram embora.  No dia seguinte a Iara veio aqui pra dar o primeiro banho e nos orientar. A Iara e a Renata vieram no dia da chegada do leite e “me salvaram” ordenhando o excesso e me ensinando a ordenhar. No décimo dia aproximadamente fizeram a última visita de muitas que aconteceram. Deu uma saudade, uma tristeza por não ser mais a grávida da vez. Uma vontade de eternizar esta lembrança, este momento lindo que foi o nascimento da nossa filha. Foi então que percebi que nossa filha Isabel é a lembrança viva de tudo isso.  

Conclusões:
Sou grata por todo o carinho da equipe, que em gestos simples como segurar minhas mãos, arrastar um sofá, pegar uma água, colaboraram para que o parto fosse perfeito.
No começo da gestação eu tinha medo de morrer na hora do parto. No dia do parto eu nem pensei nisso, mas talvez eu tenha “morrido” mesmo, só que de outra forma. Ou melhor...eu renasci. Não achei a dor insuportável, não pensei em anestesia e nem em ir para o hospital, pra mim tudo estava dando certo. O processo é muito envolvente, quando você vê já nasceu. Amei o parto domiciliar, o conforto de estar em casa, livre, com pessoas queridas. O pós-parto em casa foi ótimo. O acompanhamento na descida do leite foi essencial, importantíssimo. Ter com quem contar quando a gente sente a primeira contração, alguém que vem te examinar em casa...é tudo de bom. Eu e o Renato ficamos muito satisfeitos com a nossa escolha por este tipo de parto, foi uma experiência marcante, a mais emocionante das nossas vidas. Sem traumas. Só boas lembranças.

 



Parto TaliaRelato do parto da Talia – Nascimento do Breno

 Já conhecia Vânia e sua equipe antes de engravidar, e já tínhamos inclusive trabalhado juntas. Por isso, me senti muito confiante e confortável para chamá-las para o meu parto.

A evolução do meu processo de parto transcorreu naturalmente. Não tivemos, eu e meu bebê, nenhuma complicação ou problema. Estar em casa e atendida por elas me deixou muito tranqüila e sem nenhum receio de ser alvo de intervenções desnecessárias, ter minha privacidade invadida ou sofrer pressão de qualquer tipo. Esta sensação proporcionada pelo parto domiciliar planejado é maravilhosa, e ajuda o parto a acontecer com saúde.

Vânia, em uma de suas visitas pré parto, me disse que a natureza me capacitava para parir. Se eu a estava chamando, era para dar a mão nas horas em que eu sentisse dificuldades na travessia. E eu tive meus momentos difíceis, em que me atrapalhei e fiquei com medo de não conseguir trazer meu filho ao mundo. E as enfermeiras foram sempre muito competentes em sua atuação; delicadas comigo e minha família e souberam me estimular nas horas certas. Inclusive souberam não estimular, quando necessário, saindo da sala e me deixando a sós com meu companheiro e minha irmã. Este difícil jogo de estar presente e também dar espaço para a mãe ser livre é exercido com maestria por elas.

Sendo assim, eu sabia que, ao menor sinal de problema, estaria muito bem assistida e, na ausência deles, eu era livre. Eu sabia que era o centro, e elas também sabiam. Ocupei meu espaço de protagonista e me foi permitido fazê-lo. Em casa e com o atendimento da equipe Hanami, pude viver a minha experiência por inteiro. Elas respeitaram o meu tempo e meus desejos, me trataram com gentileza, sem críticas, julgamentos ou pressões. Ao mesmo tempo, estavam atentas ao processo, para agirem prontamente no caso de complicações. Senti-me muito segura.  Antes do dia do parto, conversamos sobre minhas preferências, uma delas sendo ficar com o bebê em contato pele-a-pele logo após o nascimento dele durante bastante tempo, para só depois ele ser examinado, e aí voltar rapidinho para o meu colinho! Elas atenderam todos os meus pedidos. Eu fui mesmo a dona do meu parto e do meu corpo.

Com este profissionalismo e competência, além do amor que têm pelo trabalho que fazem, Vânia e sua equipe atendem sua clientela com resultados tão positivos. A atuação delas deixa suas clientes relaxadas, seguras e tranqüilas, o que se traduz em processos de parto saudáveis e naturais.

O nascimento de um filho fica com a mulher como uma de suas experiências mais incríveis. Eu me fortaleci com a minha, e sempre que falo no assunto, digo com muito orgulho: Eu tive meu parto em casa. Foi maravilhoso, e eu consegui!

Talia Gevaerd de Souza
 

 



Parto IaraO nascimento de Maria Flor foi uma festa....

Começou assim, com uma gravidez tranqüila. Fiz hidroterapia e fisioterapia a partir do terceiro mês. Na vigésima semana, por conselho do obstetra, comecei a fazer massagem com óleo de semente de uva no períneo, no mínimo 3 vezes por semana, disse que isso facilitaria a passagem do bebê sem lacerações. E assim foi, até a terça feira, dia 25/01/2005, quando recebemos uma visita da enfermeira “parteira”, ela me examinou, e para a nossa surpresa, as contrações estavam bem menos espaçadas e ela disse que o parto seria em breve. Depois que ela saiu, me deu uma vontade incontrolável de caminhar, já era tarde da noite, mesmo assim, eu e meu companheiro, Francisco, saímos de casa por volta das 23h30 para caminhar na Beira mar. A lua estava cheia no céu e refletia sua luz no mar, a noite estava muito agradável. Chegamos em casa e fomos dormir. Quando foi 6h00 da manhã, senti escorrer um líquido no meio das pernas, levantei, fui ao banheiro para ver as características, mas logo parou de sair. Sem cheiro ou cor, achei que poderia ser xixi, pois no final da gravidez, estava com o esfíncter vesical um pouco relaxado. Voltei a dormir. Às 7h00, de novo, a água escorreu, desta vez em maior quantidade. Definitivamente não era xixi. Acordei o Francisco e começamos a nos preparar para o grande dia, tomamos banho, arrumamos as coisas, tomamos um café da manhã reforçado e fomos ao consultório do obstetra. No consultório, ele diagnosticou uma ruptura alta de membrana. Pediu um ultra-som, que detectou um bebê de 3.600 gr, em posição cefálica (não encaixado ainda) e tudo normal. Ligamos de volta para o obstetra, que, muito atencioso, nos parabenizou pelo início do trabalho de parto, mas que ainda poderia levar um tempo.

Neste meio tempo, desde cedo a mãe do Francisco se preparava para pegar um vôo para Florianópolis e o pai dele estava na estrada, vindo de São Paulo, e os meus pais, que moram aqui, começaram a se organizar para participar também. Ligamos para a enfermeira, que começou a se preparar para atender o parto.

Nos encontramos perto da hora do almoço na casa dos nossos compadres Bia e Fred, que, gentilmente nos cederam a casa para o nascimento da nossa filha. Lá passamos uma tarde muito agradável, o céu estava azul, sem nuvens, e freqüentemente sentíamos uma brisa refrescante que vinha do mar. O parto evoluía lentamente, porém num ritmo regular, sem dor, fiquei a maior parte do tempo me exercitando na bola suíça, caminhando, relaxando, fazendo escalda-pés e recebendo acupuntura de um médico homeopata amigo da família que estava presente. As contrações estavam 4 em 10 minutos, às 19h00, estava com uma dilatação de 7 cm e ainda não havia sentido dor, estava achando isso um pouco estranho, mas estava bom assim.

Às 19h05 a enfermeira me examinou e a bolsa rompeu, saindo um líquido esverdeado claro, mecônio. Dali pra frente às contrações aumentaram, e eu comecei a sentir um desconforto que começava nas costas e irradiava para o centro da barriga, o Francisco ajudou muito fazendo massagem na região lombar, o que aliviava bastante a dor. Neste meio tempo, na sala, uma amiga preparava a janta para os amigos e familiares que estavam esperando a chegada da nossa filha. Parecia uma festa de interior, um ambiente muito familiar. Os pais do Francisco também chegaram a tempo para participar da festa. Fui na cozinha e tomei um pouco do caldo de mandioca que ela estava preparando, me deu uma boa energia para o restante do trabalho de parto.

Para aliviar as dores das contrações eu ficava na banheira com água morna, o Francisco sempre ao meu lado, vivemos momentos inesquecíveis juntos, de grande companheirismo. O tempo foi passando, a luz do sol se foi e deu espaço para as estrelas brilharem, junto com elas, nasceu a lua cheia.

À medida que a lua subia no céu, as contrações aumentavam. A luz da lua invadia a sala do parto, que tem uma parede grande com janelas de vidro. Às 22h30 a enfermeira fez um toque, pronto! Dilatação total, colo apagado, a criança está a caminho! A emoção começou a tomar conta das pessoas que estavam presentes. Instintivamente, cada um foi ocupando o seu espaço para assistir ao milagre da vida. Pessoas muito queridas para nós, entre elas, nossas mães, amigas, comadres... Eu me posicionei de cócoras apoiada no Francisco que estava sentado atrás de mim, compartilhando ativamente os meus esforços e me incentivando.

O silêncio foi se fazendo presente, ouvia-se apenas o som da música andina ao fundo, e inevitavelmente, os meus gemidos de força. As luzes foram desligadas, deixando apenas uma penumbra, e a forte presença da luz da lua. A enfermeira, sempre muito atenciosa, com o sonar ouvia o coração da nossa filha, que estava chegando para a vida. O som do coração dela ecoava na sala e ritmava o momento, que era dela. Coroou a cabecinha, pensei que não ia agüentar! Pedi para a parteira fazer um corte para ajudar a criança a sair, ela pediu a tesoura, pensei que ela iria fazer um corte no períneo, mas ela cortou um pedacinho do cabelinho da criança e colocou sobre meu coração, e disse: “Tá vendo Iara, este é o cabelinho da sua filhinha, faz mais uma forcinha que ela está nascendo!” Ela nos pediu para acariciar a cabecinha dela. Neste momento a emoção tomou conta do ambiente, na próxima contração que veio, ela nasceu, às 22h49. Rapidamente a parteira examinou a criança e colocou-a nos meus braços, ela não chorou, resmungou e se acomodou em meu seio. Deitei na cama com ela, enquanto a placenta dequitava, sem cortar o cordão, ela ficou em meu seio por 50 minutos, quando a placenta saiu espontaneamente. Depois disso, o Francisco cortou o cordão umbilical. Pronto, agora ela estava no mundo, e recebeu o nome de Maria Flor. Muita emoção neste momento, os familiares que aguardavam fora da sala do parto entraram para saudar a nova vida...o banho, dado pelas avós foi lindo, e muito significativo, envolta sob um pano, ela foi mergulhada na banheira com água morna e lá ficou relaxando, sendo acariciada e apreciada pelos familiares presentes. Para a minha alegria, ela passou direto, sem lacerações ou necessidade de episiotomia, uma criança de 3,600 gr e 49,5 cm.

E foi assim... uma festa, o nascimento de Maria Flor, que nasceu na nona lua cheia, exatamente na data provável do parto, dia 26/01/2005, em casa, junto com a família e os amigos. Resultado de uma gravidez tranqüila e um parto humanizado, visando o bem estar geral meu e da minha filha, ela é uma criança saudável, alegre, risonha, e muito, muito tranqüila. O parto dela foi o momento mais emocionante da minha vida. Recomendo o parto domiciliar assim, seguro e bem assistido por profissionais competentes que reconheçam, acima de tudo, a segurança da mulher e da criança.

* Iara Simoni Silveira Feyer
Enfermeira

 



ImageNascimento de Íris Luna

     Toda vez que penso em meu parto e naqueles momentos  fico emocionada, não tem como ser de outra forma pois é mágico e diferente de tudo que já vivi.  Desde as primeiras contrações até o nascimento foi tudo muito intenso e um turbilhão de sentimentos me confundiam, eu sentia a dor mas ao mesmo tempo  pensava que aquilo era tudo que eu desejava. Eu sentia segurança e também medo de não conseguir. Eu dizia ao meu companheiro que não aguentava, mas sabia que era só medo e que estava tudo bem.
    As contrações me pegaram desprevenida, mas aprendi a lidar com elas e conforme transcorria o tempo fui me condicionando, fiquei muito envolvida em meu processo e quiz ficar  sozinha, compenetrada mesmo.Meu parto foi muito rápido, durou 4 horas, quando as parteiras chegaram eu já estava com 8 de dilatação, foi só o tempo de encherem a piscina.  Quando penso em meu parto, sinto novamente aqueles momentos de delicadeza, de força perante o nascimento, de confiança e coragem. Hoje me sinto forte e tenho a certeza que passei pela experiência mais importante de minha vida.
    A nossa filha é linda, calma e forte. Tenho certeza que o parto em minha casa, com aquele clima de amor e confiança contribuiram para que ela fosse assim.
    Gostaria de agradecer às minhas queridas parteiras:
    A Vânia por me fazer enxergar que a maternidade e o nascimento independe de qualquer situação externa. Que o ato de parir é único e deve ser vivido e sentido profundamente, mesmo sendo uma cesariana por exemplo.  Graças  a ela e suas palavras pude fazer o que sempre quiz e ter minha filha em casa. Esse apoio emocinonal foi fundamental para mim.
    Agradeço a Iara por pentear os meus cabelos após o parto quando eu ainda estava na partolândia e nem pensava nisso. Essa sensação de ser cuidada foi especial e muito valorizada naquele momento, elas pensam em tudo mesmo.
    Agradeço a Joyce que mesmo não estando presente no parto foi essencial antes e depois me inspirando confiança e ensinando os primeiros passos da maternidade.
    Agradeço a Renata e Maira que me auxiliaram muito na amamentação quando fiquei preocupada e sem saber o que fazer com o inchaço e as dores em minhas mamas. Elas retiraram o leite com a maior paciência e me ensinaram a fazer sozinha. Agradeço também a Maira pelas fotos que tirou e pela preocupação em registrar os melhores momentos, registrando os objetos da casa e os momentos de dor e prazer.
    Essa equipe me ajudou  a evoluir como ser humano.
    Agradeço a meu pai e sua esposa que propiciaram um ambiente tranquilo, acolhedor. Nos deram apoio prático e emocional, cuidando de mim, antes, durante e depois, fazendo com que eu me sentisse segura e confiante.
    Finalmente agradeço a meu companheiro Zama que até aquele momento não havia me dado conta de como era grande nosso amor. Ele foi perfeito, cuidou de mim, sentiu as dores comigo, dividiu as aflições, as alegrias, e na hora do parto me segurou com firmeza e pariu comigo. E por isso, é meu amor pra sempre....
    E claro, não poderia deixar de agradecer à pequena Íris Luna que me deu a oportunidade de ser mãe e quiz nascer rápido para o trabalho de parto ser o mais tranquilo possível.
Obrigaga à todos vocês que estarão em meu coração para sempre.
Jéssica Leite



Image O Nascimento de João Fernando

Minha segunda gravidez foi muito desejada (assim como a primeira) e ocorreu aproximadamente um ano depois das primeiras tentativas. Foi uma gravidez tranqüila, com alguns atropelos do dia a dia, mas nada que comprometesse seu andamento natural. Me senti forte, disposta, trabalhando até dois dias antes de ganhar o João Fernando...

Meu primeiro parto foi cesárea, por mau posicionamento fetal. Minha recuperação foi delicada e sabia que pra minha segunda gestação, não queria passar por tudo aquilo novamente...O Pedro, agora com 4 anos e eu não mais como marinheira de primeira viagem, tentaria o parto natural. Até o quinto mês, não pensava muito na possibilidade de fazer um parto domiciliar, apesar de ter acompanhado dois partos na minha casa. O nascimento da Maria Flor e da Nina Morena (minha afilhada), aconteceram em clima de festa aqui em casa. Momentos alegres registrados pra sempre em minha memória...

Lá pelo quinto mês, recebi um convite da minha Comadre Iara para participar de um “consultão” sobre parto domiciliar... Acho que ela mesma não botou muita fé que eu fosse, mas eu fui... E lá começou a despertar um sentimento dentro de mim de querer ter meu bebê em casa, mas ainda não estava muito convicta... Os meses foram se passando e a idéia amadurecendo... Até quando realmente decidi o que queria fazer: vou ter meu bebê em casa, se Deus quiser...

No dia 11/08/08, segunda-feira, a equipe de enfermeiras veio aqui em casa pela segunda vez; conversamos um tanto a respeito do parto, procedimentos, medos, receios, desejos... A Vania me perguntou se eu tinha medo de sentir dor... Eu respondi que não, que me via até como uma pessoa resistente a dor... A Joyce me examinou, fez um toque e disse que o colo ainda estava médio, para trás e fechado. Entraria na 39ª semana no dia seguinte. Na saída do exame, perguntei pra Vânia se o trabalho de parto, pela situação em que eu me encontrava, poderia demorar mais muito tempo... Ela disse que poderia ser mais pro final da semana, mas que também poderia iniciar a qualquer momento...

 

Às 22:30 horas do dia 11/08, senti uma cólica muito forte... Fui ao banheiro de fiz uma limpeza... Achei até que fosse algum tipo de cólica intestinal, pois apresentava sinais de pressão baixa e tontura... A cólica cessou por alguns minutos e consegui me deitar um pouco... Lá pelas 23:00 horas começou de novo, mas essas foram um pouco diferentes, a barriga ficava mais dura... Comecei a marcar no relógio e elas ocorriam de 10 em 10 minutos. Liguei pra minha comadre Iara. Fui pro banho pra ver se as contrações aliviavam, mas percebi que não... Pedi pro Fred (meu marido) arrumar o colchão lá em baixo, pois sentia que alguma coisa diferente estava acontecendo... Quando a Iara chegou, por volta da meia noite, eu sentia 4 contrações a cada 10 minutos. Arrumamos os colchões na “sala de parto” e lá ficamos. Tentei dormir e relaxar um pouco, mas as dores foram ficando mais intensas. Sentia também dor nas costas por conta do ciático. A Iara ficou o tempo todo comigo, fazendo massagens e ouvindo os batimentos cardíacos do bebê. Tudo sob controle.... As dores foram ficando mais intensas e as contrações mais duradouras. Resolvemos ir pro chuveiro... O tampão saiu por inteiro... Consegui relaxar um pouco, mas toda vez que vinha uma contração, a dor era muito forte mesmo... Por alguns instantes, pensei que não fosse agüentar... Lembrei do que tinha respondido pra Vânia com relação a dor... Me vi em teste.... Resolvi me deitar um pouco... A Joyce chegou e lá estávamos nós três: eu, Iara e Joyce... A cada contração forte a Joyce massageava minhas costas... Depois de muitas contrações, disse pra elas que alguma coisa havia “saído”... E assim foi: O meu menino estava nascendo!!! Lembro que a Joyce falou num tom todo tranqüilo e suave: “Fabíola, acho que nós temos que pensar num outro lugar pra você ganhar o bebê, porque não vai dar tempo de irmos lá pra “sala de parto”...” Prontamente respondi que seria ali na minha cama mesmo... E assim foi... Eu estava concentrada em mim mesma... Sabia que eu é que tinha que fazer acontecer... Procurei me concentrar na minha respiração e acho que isso foi fundamental... Não precisei fazer força... A cada contração, concentrava na respiração e o João Fernando nascia... Quando a cabeça dele começou a sair, pude tocá-lo. Ele ainda estava dentro da bolsa... Como dizem, nasceu “empelicado”... A bolsa só rompeu quando passou o ombro... Pude ver meu filho nascendo a cada minuto... Foi um momento muito mágico... A emoção tomou conta de mim e mesmo hoje quando páro pra pensar, me emociono... Com certeza esse momento foi um marco na minha vida, onde pude viver sentimentos únicos e só meus... O João Fernando nasceu às 3:55 horas, lua crescente, com ápgar 10/10... A Joyce pegou o meu menino e colocou-o em meus braços... A alegria contagiou o ambiente... Ele chorou suavemente e em seguida se acomodou no meu seio por mais de uma hora, quando a placenta começou seu processo de saída... Nesse momento achei que não fosse conseguir, pois sentia muita dor no ciático... Mas depois de uma hora, a placenta saiu e o Fred cortou o cordão...

Aqui está João Fernando, enchendo nossa casa de alegria!!! Nasceu dia 12/08/08, às 3:55 horas, lua crescente pra cheia, de 39 semanas, poucas pessoas, ambiente tranqüilo, pessoais essenciais...

Sou grata a minha comadre Iara por todo o apoio, palavras de carinho, dedicação, suporte nas contrações e pelo despertar pra este momento maravilhoso...

A Joyce, pelas massagens e pela maneira amiga e tranqüila de ter auxiliado a trazer meu filho pra este mundo...

A Vânia, pelas sábias orientações...

A Renata, pelo carinho e amizade demonstrados naquele momento...

Ao Fred, por sua mão durante o nascimento...

Enfim, foi uma experiência marcante, onde senti meu renascimento... Com certeza um marco na minha vida, com muito boas lembranças...

Fabíola Pozza Korndorfer

 



 
Image Nascimento do Franscisco

 Bom... A história do parto do Francisco começou muito antes do seu nascimento; 2 anos antes, quando meu primeiro filho, Jonas, saiu da minha barriga através de um corte, feito pelo médico de plantão do horpital “Santa Ilusão”. Mas esta é outra história que um dia eu conto pra vocês. 

O fato é que a cesárea, para muitos e muitos médicos, contra-indicava o parto normal do Francisco. Gente... Vocês nem imaginam como demorei a encontrar um santo obstetra que, ao menos, considerasse o parto normal uma alternativa viável!!

Mas nem cogitava um parto domiciliar, achava que na maternidade seria mais confortável. - A gente pensa cada coisa absurda!!!!.

Só lá pela 36ª semana, quando fui ao encontro de gestantes com a equipe Hanami me decidi a ter o bebê em casa.

Nessas alturas já sentia muitas contrações, principalmente quando andava. Certo dia, com 38 semanas, quando estava indo trabalhar, espirrei, e no espirro senti que alguma coisa saiu de mim e molhou a calcinha. Era o tampão. Tive contrações o dia inteiro e mal consegui trabalhar. A Vania já tinha me dito que toda mulher sabe quando a contração é do parto. Eu sabia que ainda não era hora do bebê nascer.

Alguns dias depois, a Iara me ligou perguntando se estava tudo bem, e como não sentia nada, ela me recomendou: - Fique longe do seu marido, durma com os pés pra cima e descanse bastante porque a gente está atendendo um parto.

Pra que ela foi falar? De noite comecei a sentir as contrações, espaçadas ainda, mas bem fortes. Desta vez não era um alarme falso. Tive certeza que o bebê nasceria no dia seguinte. Só ficava torcendo pra dar tempo delas me atenderem.

Logo no início tive uma vontade louca de ir ao banheiro. Cada vez que vinha uma contração tinha que correr pra privada. Sem brincadeira, acho que fui umas 10 vezes, até não restar nada na barriga além do bebê. Passei a madrugada inteira com contrações fortes, porém suportáveis, só não dava pra dormir como gostaria.

De manhã elas foram se espaçando até que cessaram por completo. - Ué... Será que eu me enganei? Como eu já tinha consulta agendada, fui ao médico. - E aí? Você acha que ele nasce hoje? - Hoje, amanhã, semana que vem... Quem sabe? Lembro-me que ela ainda perguntou: - Você não quer entrar em licença? - Não, não posso! Ainda tenho um monte de coisas pra fazer no trabalho.

Tolinha eu... Mal podia imaginar que de noite já estaria com meu filhinho no colo...

Só não fui trabalhar porque a escolinha do Jonas não abriu neste dia e eu não tinha com quem deixá-lo.

Voltei pra casa e fui preparar o almoço. À tarde as contrações voltaram. Bem fortes, mas eu não queria assustar o Jonas, então fazia o possível pra ficar super-normal. Pra completar, chovia muito e não dava nem pra ele ir brincar no quintal.

Quando o Mogli (meu companheiro) chegou em casa, eu já estava meio transtornada, tava bem difícil continuar numas de “nada está acontecendo”.

Um mal-estar tomou conta de mim e tive que correr pro banheiro de novo, mas desta vez era pra vomitar. As contrações espremiam tanto minha barriga que expulsavam tudo que tinha dentro dela. Vomitei muito, inúmeras vezes.

Quando finalmente o mal-estar passou, o trabalho de parto tomou força. Aninhei-me em minha cama, me enrolei no edredom e fiquei lá, contraída do dedão do pé à ponta dos fios do cabelo, dentro do meu casulo de lagarta, morrendo de frio e de dor.

O Mogli então contou: 3 contrações a cada 10 minutos, é melhor ligar pra Vânia. Mas ao invés dele falar, a criatura deu o telefone pra mim! Agora, vê se uma mulher, em franco trabalho de parto, tem condição de falar ao telefone!!! Tirei todas as forças do fundo do meu ser e pronunciei:

- Vânia... Ta punk!!!!!

- É isso que você tem pra me dizer?

- É... Ta    MUITO    punk!!!!!!!!!

Ainda bem que ela entendeu o recado! Logo a Maíra e a Iara chegaram em casa, a Vânia e o Marcos em seguida. Acho que eram umas 20 h.

Eu era pura contração, ainda estava lá encolhida em meu casulo, dentro de uma escura e profunda caverna, gemendo e grunhindo.

Não sei se era o frio que me fazia contrair ou se eram as contrações que me faziam sentir frio. Só sei que doía muuuuuuuuito e eu não conseguia mover nem o dedinho do pé.

Dava graças a Deus pela idéia iluminada de ter o bebê em casa. Imaginava como seria sofrido ter que sair andando, sentar num carro, encarar o trânsito do rush, dar entrada num hospital... Ninguém merece!

Mas elas chegaram pra resolver meus problemas! Já foram logo me resgatando do meu mundo escondido, fazendo massagem nas minhas costas, escalda-pés, aplicando mocha... O Mogli também me ajudou muito, foi um companheirão todo o momento! O Marcos brincava com o Jonas que, de vez em quando, aparecia bem serelepe, achando o parto a coisa mais normal do mundo!

 Levaram-me pra tomar um banho quente, estava ótimo, mas ficar na vertical (sentada ou em pé) realmente não era comigo. Eu achava lindo parir de cócoras, mas durante o TP esta posição era terrível! Meu negócio era mesmo ficar deitada.

Quando voltei pro quarto, já sentia vontade de fazer força e foi ótimo porque descobri que aliviava a dor. A Vânia me aconselhou a ficar na posição de genupeitoral (em quatro apoios) porque forçava menos a cicatriz da cesárea. Gostei. Dava até pra relaxar entre as contrações, o que é mais difícil de cócoras.

Fiquei lá, fazendo força um bocado de tempo e o nenê nada de nascer.

A Iara na filmagem, empolgando a turma:

- Isso Jussara... Muito bom! Continua assim... Já dá pra ver a cabecinha!

Opa! – Pensei. Já dá pra ver a cabecinha! Então mais uma ou duas contrações e o bebê nasce.Força!... Força!... Força!...E o bebê nada de nascer! Exausta, perguntei à Vânia:

- Porque ele não nasce logo?

Sabiamente, ela respondeu:

- Ele está esperando o alinhamento dos planetas no cosmo!

E a Iara lá, na torcida, narrando a cena:

- Vai, vai... Muito bom!... Meu Deus! Ele está se enforcando!!!

Não, não era o bebê! Era o Jonas com a corda do balão enrolada no pescoço!

O Mogli estava empolgadíssimo com a cabeça do bebê que já estava visível há um tempão. Me deram até um espelho para que eu pudesse ver a cena, mas confesso que não gostei. Tive um pouco de aflição. Também fiquei meio decepcionada com aquele pedacinho de cabeça depois de tanto esforço. Preferia me concentrar só imaginando. Força, força, força, força, fooooorça!

De repente, a Vânia disse:

- Agora se levanta um pouco.

Fiquei ajoelhada e na contração seguinte senti o bebê ser “cuspido”. Ela o amparou e imediatamente o passou para meu colo.

Eram 22 h e 58 min do dia 18 de setembro de 2007.

Eu mal podia acreditar... Era ele! O Francisco! Meu bebê!

Finalmente os planetas tinham de alinhado!

Senti seu corpinho nu e escorregadio, quente, pulsando de vida! Nossa! Como este momento foi feliz! Feliz por tê-lo ali, junto de mim, perfeito, cheio de saúde! Feliz por ter conseguido fazer o parto como eu sonhava! E feliz pelo parto ter terminado!!

Lembro-me que na hora eu pensei: foi muito bom, muito legal, mas não quero outro parto tão cedo! Que nada... Tenho muita saudade destes momentos. Adoraria ter outros partos como este!

A Vânia fez a sutura no períneo que sofreu uma pequena laceração e quando me senti bem fui tomar um merecido banho. Aquela água quente... Estava tão boa... Relaxou tanto... Tão gostoso...

Quando voltei ao quarto já estava tudo arrumado, lençóis limpos, tudo no lugar. Elas são mesmo demais!

Eu não tinha um pingo de fome, mas comi o melhor sanduba da minha vida!

Esta noite dormi com o Jonas e o Francisquinho na cama. Ou melhor, tentei,  porque estava tão na pilha que não preguei os olhos. Passei a noite olhando meus filhos e pensando como a vida era generosa comigo. Estava tão feliz! Eu tinha conseguido! O bebê era perfeito! O Jonas era um menininho adorável! Meu marido era maravilhoso! Foi tudo tão lindo!

Jussara

Mãe do Jonas e do Francisco

 



Image Nascimento da Nara Rosa

As contrações começaram na quinta-feira, 4:30 da manhã. Tomei um banho, feliz da vida, e as contrações deram uma aliviada. Também comi umas frutas. Consegui dormir depois e isso me indicou que ainda não era o franco trabalho. Durante a manhã, a Joyce veio em casa e fez uma avaliação. Pelo exame de toque, ainda não tinha dilatação e o colo do útero estava um pouco pra trás. Por conta das contrações, que ainda estavam irregulares mas já estavam constantes, ela disse que provavelmente o parto ocorreria entre quinta e sexta. Recomendou até que o Gabriel fosse trabalhar à tarde, sem se preocupar. Mas ele, não querendo perder nada, não foi. Almoçamos fora, comi muito bem. À tarde, seguindo as recomendações de descansar enquanto podia e poupar energias, consegui dormir um pouco. Por volta das 22h, as contrações estavam mais intensas e ritimadas. A Joyce veio outra vez e fez outro exame de toque e constatou que a dilatação não tinha evoluído muito, estava em 1cm ainda, provavelmente porque o colo continuava pra trás. A Vânia chegou e trouxe um floral de golfinho e um floral rescue. Aplicou um de cada vez diretamente no colo do útero, e em menos de 5 minutos o colo estava bem posicionado e a dilatação tinha ampliado de um dedinho para três dedos! Daí em diante, as contrações foram ficando mais intensas e regulares. Tomei um banho de meia hora que aliviou muito a sensação de dor e me relaxou. Mas as contrações não dimuníram mais... O grupo Hanami trouxe seus equipamentos e a piscina, enquanto eu e o Gabi ficamos deitados descansando, guardando energia...Eu conseguia dormir entre uma contração e outra, foi muito bom. Vez em quando vinha uma tremedeira durante as contrações. Nas primeiras vezes me assustei e tentei impedir, mas logo percebi que, se deixasse que ela tomasse conta do meu corpo, me aliviava e me enchia de energia. Quando estava amanhecendo, por volta das 6h30, a bolsa rompeu e o colo atingiu 6cm de dilatação. Ficamos caminhando pelo quintal enquanto o sol nascia, comendo fruta. O Gabi me apoiava quando vinham as contrações, cada vez mais fortes, e me lembrava de respirar “assoprando a vela”, o que ajudava bastante a suportar a dor. Depois da caminhada, fui para a piscina. Foi muito relaxante, mas, apesar do frio que fazia, senti a água muito quente (ou eu estava quente)... O colo estava completamente dilatado. Fui orientada então a ficar de cócoras e fazer força durante as contrações. Entre elas, sentava e descansava. Com algumas contrações senti a cabecinha coroando...Daí em diante, não precisava mais fazer força....Deixei que as contrações passassem pelo meu corpo, que se abriu por inteiro, e empurrassem o bebê...Eles sabem como nascer....Mais algumas contrações e a Nara saiu!...Peguei-a no meu colo, meu filhote, meu bichinho...Ela já nasceu cor de rosa e com seus enormes olhos negros me buscando...! O cordão umbilical foi cortado pelo Gabriel, meu marido, quando parou de pulsar (1h depois!), com a Nara mamando. A placenta deu um pouco de trabalho para sair, mas com mais um pouco de paciência e coragem conseguimos. No fim (ou começo), estamos todos bem, muito felizes, nos sentindo muito muito muito abençoados. Estamos enormemente gratos por tudo, por todas as pessoas que passaram pelo nosso caminho durante todo o processo do nascimento, compartilharam, trocaram, nos orientaram, deram força e amor..... ***RECEBO***AGRADEÇO***DOU***...infinitamente... Renata Gomez


 Nascimento do Lucas

Image  Ola... o nascimento do Lucas foi algo maravilhoso....uma experiencia unica que tenho certeza que ficara guardada para sempre dentro de mim... sempre imaginei que o Lucas nasceria dia 10 de janeiro..mas ha duas semanas coloquei na cabeça (ou sopraram para mim) que ele chegaria dia 19/12. Na noite anterior ao parto eu tive insonia..na verdade tive muita colica e estava com medo da bolsa estourar na cama...nao conseguia dormir devido às colicas e receio de estar na cama caso a bolsa estourasse... tinha certeza que ele estava chegando, mas todos descordavam de mim...o meu marido acreditava que ele so chegaria em janeiro..na semana anterior ao nascimento tive o primeiro encontro com a equipe (mayra e joyce) que tambem ficaram um pouco espantadas com a ideia do lucas nascer na outra semana, pois acreditavam que ele ainda cresceria um pouco mais. O Dr. Marcos Leite tambem me disse a mesma coisa na cosulta de segunda feira (15/12), mas dentro de mim meus pensamentos sempre discordavam da ideia deles....

Na semana do nascimento surgiu dentro de mim uma vontade de caminhar todos os dias...algo me dizia para me preparar melhor para o parto. Confesso que estava um pouco preguiçosa nas ultimas semanas e não estava caminhando tanto, mas na ultima semana a vontade cresceu muito.Tive as colicas na quarta feira a noite e não dormi bem. Mas na quinta feira tinha muitas coisas para fazer no centro e fui resolve-las. Caminhei a manha toda e nao senti nada... teve uma hora que eu pensei que estava tao bem e que o Lucas talvez nao nascesse na sexta como imaginava. Voltei para casa e o Jorge (marido) ligou para irmos ao sitio. Peguei o carro e passei na empresa para busca-lo. Fomos ao sitio e eu disse a ele para trazermos o carrinho e bebe conforto, mas ele falou que não precisava pois o Lucas só nasceria em janeiro e no final de semana iriamos para o sitio novamente. Chegamos em casa e fomos caminhar na beira mar. Foi uma caminhada tranquila...um ritmo sempre leve. Chegamos em casa e fui olhar as roupinhas que a cunhada dele deu de presente ao Lucas, ainda pensei comigo se ele demoraria mesmo para nascer ou se era coisa da minha cabeça que ele chegaria no outro dia... pensei que fosse algo da minha cabeça, pois ja era 21 h e eu estava tão bem. Começamos a assistir um filme e comemos uma salada. Entao as 23:30 começaram a estourar fogos de artificio na beira mar e eu estava deitada no colo dele... quando vi os fogos levantei de forma rapida e neste exato momento a bolsa rompeu. Corri para o banheiro (e nem pensei mais nos fogos, eheheehh) e disse que a bolsa tinha estourado. O mais engraçado disso tudo foi que ele tinha uma reuniao as 22 h e o pessoal que chegaria para a reuniao perdeu o voo e ligaram desmarcando... sorte nossa o papai estar em casa, ou uma pequena força do universo?! eheheheh peguei o telefone e liguei para a Mayra.... o Jorge ficava o tempo me perguntando se realmente tinha estourado...se não estava enganada...mas eu sabia que não estava...fiquei sentada um tempo no banheiro e muito assustada...pois eu dizia tanto que seria dia 19 e quando percebi que realmente não era coisa da minha cabeça, fiquei assustada! Falei com a Mayra e em seguida a Vania me ligou...recomendou que eu tomasse um banho e me deitasse, pois na noite anterior não tinha dormido e estaria muito cansada quando entrasse em trabalho de parto.

Fiz o que ela recomendou e estava muito calma...mas quando cheguei no banheiro saiu mais liquido (bem mais). Durante o banho tambem saiu um pouco mais do liquido... quando me deitei na cama tive a primeira contraçao... e para falar a verdade, não parou mais. Sempre em um ritmo e intensidade parecida. comecei a marcar a frequencia e notei que vinha duas a tres contracões a cada dez minutos. O Jorge acordou (ele dorme em questao de segundos) e notou que eu estava tendo contracões fortes, entao ele começou a marcar a frequencia e verificou que a cada 4 minutos tinha uma contração. Ligamos para a Mayra que disse que logo estaria em casa. Fui ao banheiro tomar um banho quente, pois as contrações não davam um intervalo maior de descanso para mim... fiquei um bom tempo embaixo da agua quente. Depois sentei no vaso e fiquei muito tempo ali sentada...tinha muito alivio sentada no vaso meio que de cocoras naquele ambiente quente...parecia que estava em uma sauna...na verdade estava tão cansada por não ter dormido na noite anterior e o ambiente quente diminuia a minha pressão que parecia que eu estava em dois universos...um tendo as contrações e em outro tendo sonhos que faziam com que eu esquecesse da dor. Fiquei um bom tempo no banheiro... quando sai do banheiro o Jorge ja tinha arrumado o quarto para mim..pedi a ele que pegasse o rescue e quando tomei tive em seguida um sintoma: vomito. Fiz uma grande limpeza estomacal.... voltei a me sentar no vaso e fiquei mais um tempo nesse universo paralelo. Então tive tambem uma limpeza do intestino... a cada contração o intestino limpava mais, ate eu ter a sensação que não tinha mais nada... a Mayra chegou e eu deitei na cama...mas não me sentia confortavel nesta posição.

A esta altura do trabalho de parto, estava muito cansada e tive um momento de insegurança... olhei para a Mayra e perguntei se nos poderiamos ir ao hospital para eu tomar uma anestesia...e falei ao meu marido que gostaria de ir....a Mayra e meu marido muito calmos me tranquilizaram e a Mayra falou para eu pensar que essa dor era meu bebe querendo nascer para ficar comigo, e que a cada contração ele estaria mais próximo de mim....levantei da cama e voltei para o banheiro ( e meu universo) ehehehe...tomei outro banho...fiquei mais um tempo grande na "sauna" sentada no vaso.... e as contrações sempre muito fortes. quando sai do banheiro a Mayra disse para eu caminhar....então neste momento comecei a caminhar e me soltei mais.... estava muito tensa...ela tentava me massagear para eu me soltar, pois a cada contração eu contraia os musculos do corpo...entao eu comecei a gemer nas contrações, a rebolar, ficar de cócoras e percebi que me entreguei ao processo. Deixei que ela fizesse o toque, pois fugi dela o tempo todo..acho que tinha medo que ela falasse que ainda demoraria muitas horas, e eu tinha medo que isso me fizesse fraquejar novamente... mas quando ela fez o toque, lembro que ela arregalou os olhos e não falou nada...entao eu pensei....ou é uma coisa muito boa ou muito ruim... e para a sorte era uma coisa muito boa...ja estava com 9 centimetros de dilatação... neste momento eu aceitei mais a dor...quando vinha a contração eu ja não lutava tanto contra ela...acho que comecei a caminhar junto com ela..e tambem comecei a acatar todos os conselhos da Mayra...fiquei agachada, mudei de posição...fiquei de cócoras no sofá para ela e Jorge me massagear....quando a contração vinha nós duas agachávamos no chão e eu gemia muito....lembrei da yoga e posicões que professora indicava...entao a Vania chegou em casa e aquilo para mim era um ótimo sinal, pois sabia que a Vania só chegaria quando o bebe estivesse quase nascendo.. e em seguida chegou a Renata, o que confirmou a minha teoria e me encheu novamente de energia..sabia que o meu filho estava chegando...então eu comecei neste momento a fazer força....antes eu sentia a vontade mas não fazia...não sabia por que...mas ao ver a Vania e Renata sabia que estava na hora e comecei a fazer força....elas buscaram o banco de cocoras, pois não dava tempo de encher a piscina.... fui para o banco e o Jorge ficou atras de mim me segurando..fiquei tão feliz ao ver a filmadora e tive a certeza que a hora tinha chegado.... então a Vania falou para eu não fazer mais força que agora era com o bebe....eu fiquei radiante por dentro...pois sabia que este era último estagio e que em pouco tempo o Lucas estaria em meus braços... acho que tive seis contrações...a pressão era muito forte, mas a dor não exisitia mais....lembro que tinha muito receio que com toda aquela pressão meu perineo rompesse....e tinha medo de evacuar tambem, pois era essa a sensação...então elas colocaram um pano quente na região e fizeram uma massagem com oleo quente...isso me confortou muito... depois de mais ou menos seis contracões o Lucas chegou...foi o momento mais mágico do mundo..meu filho em meus braços...quando olhei para ele tive a certeza de como o amava...e que tudo aquilo valeu muito a pena para dar ao meu filho a chance de nascer de uma forma linda....tranquila e com o menor sofrimento possível..lembro do rosto do meu marido...tão feliz.... foi o momento mais mágico de minha vida....de nossas vidas....e estamos tão cheios de luz..energia..e radiantes com a presença do lucas... queria agradecer muito ao meu marido maravilhoso, por não ter deixado eu desanimar em momento algum..por ter estado ao meu lado desde o começo..pelas massagens, beijos, carinhos e pela presença...obrigada pelo o amor!!!! a Mayra pela força e conselhos maravilhosos no momento em que queria desistir..obrigada por ter me dado coragem em continuar em frente...obrigada por amparar meu filho quando ele nasceu...e tenho certeza que amparará muitas vezes ao longo de sua vida... obrigada a Vania pela calma que você me deu ao chegar...você não sabe quanta...eu te vi e não sei por que tive uma calma tão grande dentro de mim..pela Renata por registrar o momento mais perfeito de minha vida e pela visita no sabado em casa...a Joyce pela visita e conselhos sobre o parto..obrigada a toda a equipe hanami pelo trabalho maravilhos... e o lucas agradece a Vania e Iara por terem salvado as mamas para ele....acho que ele estava tendo pesadelo em imaginar que não conseguiria mais sugar o leitinho dele....ele agradece de todo o coracão... um beijo grande a voces...parabens pelo lindo e perfeito trabalho....eu, Jorge e Lucas agradecemos do fundo de nossos coraçoes...

Nathalia Carvalho Vieira Oliver

 


Nascimento de  Rudá

Image       Finalzinho de tarde com trovoada em Florianópolis... quarta-feira...As "hanamigas", mais amigas do que nunca, acabam de sair da consulta do décimo dia pós-parto...

 Há duas semanas atrás, num outro final de tarde, com o sol dourando as montanhas do Rio Vermelho do lado oeste, apresentava-se, ao leste, um lindo arco-íris de ponta a ponta no céu sobre o mar, tudo parecia anunciar o final da quadragésima primeira semana de gestação de um serzinho muito amado... Ao testemunhar esses sinais do céu, imaginamos que se abria o portal da Partolândia, como diz Iara... um ciclo que se iniciou ali e hoje parece fechar-se, com a saída das meninas e com a água que cai do céu abundante e parece lavar a alma de puro contentamento.

Rudá está no meio de nós... chegou domingo... tal como deixaram registrado as hanamigas em sua caderneta de saúde, foi muito bem-vindo: "A equipe Hanami, papai, mamãe e Nuit dão as boas vindas ao lindo Rudá; este iniciou o processo de nascimento durante a madrugada, intensificou no raiar do sol e quase não chegou com o sol presente... foi muito emocionante!"

Somos gratidão por todo o acompanhamento profissional carinhoso e o apoio cuidadoso e atento que recebemos das meninas...Somos gratidão pelos dois consultões e pelas cinco consultas pré-parto que nos tranquilizaram e ensinaram a confiar não só no trabalho da equipe, mas no movimento sábio e vivente da Natureza/Existência em seus ritmos e ciclos... na força feminina instintiva no gestar, parir, nutrir e cuidar... no amor desmedido e companheiro do Munay e na atenção mais do que providencial da minha amiga Nuit... que estiveram conosco todo o tempo...

Somos gratidão à Joyce que com sua alegre e expansiva presença nos comunicou ainda no sábado um "falso trabalho de parto"... e ainda ficou de prontidão ao telefone até as 23 h nos aconselhando banhos quentes e tentar dormir... até tentei Joyce...mas nada...

Somos gratidão à Renata, a primeira a chegar as 3:30h da madrugada de domingo, que com sua organização prática, discrição e calma tornou este primeiro período de contrações e espera mais tranqüilo... era como ter um anjo dormindo no sofá da sala, assim...meio dormido... pois a cada pouco lá estava ela ouvindo o coração do bebê e dizendo palavras de conforto e perseverança...Por volta das 6:30h da manhã a dilatação aumentou e junto com ela os "reforços" da Joyce e da Mayra... Iniciava por ali um espaço-tempo novo, muito terra pois intenso em sua marca de humanidade - tratava-se do ciclo nascer-crescer-reproduzir-morrer´- e muito céu, pois mágico em atender aspirações não verbalizadas mas plasmadas de forma muito concreta em cada detalhe do processo de nascimento...Joyce entrou com o sol da manhã... e que energia... benditas mãozinhas que trouxeram a bolsa de água quente para o ventre e o óleo para a dor nas costas... e o aroma perfeito para o quarto... e bendita sensibilidade que veio me consultar... "tu não queres ter o bebê lá fora no quintal...???" aaaaaaaaaahhhhhhhhhhhh... sonhos se realizam!!! Desde os 15 anos que dizia, assim meio de brincadeira que iria ter bebê dentro da água... e no quintal, foi um bônus especial...Mayra e Renata cuidaram de aquecer a água e preparar a piscina e o ambiente... e foram tão preciosas em cada detalhe... posicionaram a piscina exatamente no vão do céu que se forma entre as laranjeiras e árvores do quintal... colocaram os filtros dos sonhos que fizemos para o momento do parto e o filtro do bebê nas árvores... o aparelho de som soava com as músicas que escolhemos pra este momento... se eu tivesse planejado não teria sido tão perfeito... e tudo com uma simplicidade, fluidez e harmonia...sem corre-corre, sem stress, sem perguntas ou agitação... assim... como um rio que flue... o rio da vida se fazendo...Como as meninas descreveram, foi um trabalho de parto que durou do raiar ao pôr-do-sol... como não havia dormido desde a madrugada de sábado eu estava cansada e algumas vezes o rio apresentou obstáculos a vencer... o cansaço, o calor, um colo que demorou a se soltar por completo, uma "cabecinha de 37 cm" para passar...E nisto a calma e o profisionalismo da equipe foi fundamental...

Mayra, somos gratidão, pois apenas tua presença doce e feminina, forte e tranqüila nos fazia confiar... e se não bastasse essa força que nada precisa fazer...fizeste... observadora e perspicaz...te agradecemos por nos tirar da piscina quando quase "cozinhávamos" ao meio dia... por nos fazer caminhar e usar a corda de pendurar para ajudar nas contrações... por nos lembrar da mulher guerreira e capaz...por nos servir azeitonas... quanto a ser tão certeira nos pontos de acupuntura para acelerar as contrações, nem sei se vou ser tão enfática em agradecer....risos...E quando já tínhamos experimentado os dois banquinhos de cócoras, a posição de cócoras sustentada dentro e fora da água, a posição deitada, caminhar e outras variações... as forças que pareciam faltar... a cabecinha indo e vindo e nada de querer sair de vez...

Vânia chegou... mandou embora o cansaço de um dia inteiro de trabalho e moveu as energias... me puxou para dançar... mandou embora o sofrimento e o cansaço... convidou-me a recomeçar... ao som de Sita Ram... uma das minhas músicas preferidas que toca minha alma de modo especial... é como se minha alma fosse uma dança que é ativada pelos acordes devocionais da história de paixão e amor de Sita e Rama...E depois de me instruir da melhor forma de ajudar "esse bebê grande" a nascer, chamou Munay e nos deixou ali bailando e juntos renovando as forças de trazer à luz Rudá... Depois desta verdadeira injeção de energia e otimismo, sentimo-nos todos empurrados e depois de uma passagem preparatória pelo banquinho de cócoras, fomos convidados a entrar na piscina para receber Rudá...As meninas colocaram seus lindos aventais de receber crianças nesse mundo... foram se posicionando... e percebi que aquela era a hora... demorei um pouqiunho ainda em entender de fato...mas daí fui avisada... "se quiseres que ele nasça antes do sol se pôr tem que ser agora..."

Munay comigo, sempre ao meu lado, emocionando-se ao ver o cabelinho aparecendo... me incentivando... me aconchegando... me segurando...me dizendo que tudo estava bem, que eu estava sendo maravilhosa... me fazendo acreditar que era possível, quando me parecia que eu não mais conseguiria conciliar contração, dor, respiração e força de expulsão... Três tentativas mais, sem nada ver no espelhinho que tentavam posicionar para que pudesse ver a dilatação e a cabecinha coroando...E, assim, de repente, a cabeça que vinha e voltava, veio pra ficar... passou e com ela o corpinho... ainda pude ouvir o refrão da música que tocava..."ojos de cielo, ojos de cielo, no me bandones em pleno vuelo..."!E...para minha genuína surpresa, o serzinho que tanto esperei estava ali dentro da água, mergulhando... ali, a tal ficha caiu... "é de verdade!!!!"... aí foi o tempo de ver Joyce lidando, ainda com o bebê debaixo da água, com o cordão umbilical que estava enrolado uma vez no pescoço e outra no corpo, e ser incentivada a tirá-lo da água e aconchegá-lo no peito...

Não sei se um dia serei capaz de ficar tão fascinada com o contraste de uma pele tão branquinha e uma boquinha tão vermelha... um resmunguinho de choro...uma toca azul marinho na cabecinha... as mãos da Vânia limpando o nariz do bebê e eu escorregando...glup,glup... todos embasbacados olhando para o menino e euzinha quase mergulhei com ele na piscina... ainda bem que um papai atento nos segurou...Era 18:17h do dia primeiro de fevereiro, um domingo de sol em Floripa... perfeito para um bebê que não tinha nome definido e vinha sendo chamado de Bebê Luz... acompanhou o ciclo da luz de um dia... percorreu junto com o Sol o céu que dividiu com a Lua Crescente em dado momento da tarde...Foi por volta do meio-dia que em meio as contrações, deitada de costas, Joyce e Renata me incentivando a deixar o medo de lado e a convidar nosso filho pra vir para os meus braços que em vez de gritar, como vinha fazendo, acabei chamando Rudá...

Nada sei sobre o mito tupi-guarani deste nome, só sei que está relacionado com amor...Nada sei sobre a sua numerologia, astrologia, kin planetário, etc e tal...Só sinto intensamente que o Amor está no meio de nós... e veio para ficar... e tem nome...Rudá...Agradecemos todo o carinho, irradiações e amor que recebemos de todos os lados, formas e jeitos... Agradecemos aos amigos, aos familiares e a família do Ayllu Mística Andina...Está decretado que só importa o Amor!

Rô Melusina

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Nascimento da Pietra, contado pelo Papai Charles

 Image DEPOIMENTO DO CHARLES PAPAI DA PIETRA
 
A GESTAÇÃO

Bom, não é uma tarefa fácil falar da experiência emocionante que foi a gestação da Pietra e as meninas me disseram que vou estrear a sessão de depoimentos de pais, aí a “responsa” é maior ainda. Ô pais, qual é? Vocês estavam lá, fizeram parte deste momento mágico, vamos abrir o jogo! Vou começar do começo. Lá vem a Ana toda apavorada com um teste de farmácia acusando positivo, “e agora?” Diz ela. “Agora vamos criar!” Não me surpreendi muito porque a Ana tem ovário policístico, o que deixa a menstruação bem desregulada e como ela apresentava umas reações bem chatas aos vários anticoncepcionais que lhe foram passados e por isso não estava mais tomando, então a cada 2 ou 3 meses ela achava que estava grávida e a cena se repetia só que com resultado negativo. Foram tanta vezes que eu achava que ia ser pai que quando foi pra valer já estava preparado.
No início da gestação começamos o acompanhamento pelo SUS, com um médico péssimo que fazia pouco caso de nossas dúvidas e respondia de forma bem duvidosa e mal humorada. Aí passamos para um ótimo médico particular que nos passou bem mais segurança e respostas as nossas várias dúvidas. Através da Thalia, uma amiga da Ana, ficamos sabendo do parto na água e entramos em contato com o grupo Hanami. Fomos a um consultão e conhecemos as amáveis Hanamigas que deram uma aula sobre parto humanizado, que nós curtimos muito. Bom, agora era só esperar a Pietra amadurecer.
Alimentação saudável, caminhadas, exercícios e muito amor, foram passando as semanas até a 37ª quando aconteceu a primeira visita em nossa casa e tivemos a oportunidade de conhecer pessoalmente a Vânia, que as meninas já haviam falado tanto e entendemos o porquê. Uma pessoa maravilhosa, iluminada, com carisma enorme como todas as outras Hanamigas. Estou para ver um grupo de trabalho com tanta afinidade e objetivos focados. Os dias foram passando e as visitas acontecendo semanalmente. Fomos conhecendo a cada semana duas das Hanamigas e nos apaixonando por cada uma delas. Se achamos nosso médico excelente, achamos as Hanamigas maravilhosas, cada uma no seu estilo, a Renata toda delicada, metódica e super informada, A Iara super espontânea, elétrica, divertida e sempre com dicas fantásticas, a Joyce muito figura e com um profissionalismo exemplar, a Jacque muito amável. O impressionante é que mesmo com a enxurrada de perguntas que fazíamos e das dicas importantíssimas que elas nos brindavam sempre tinha um detalhezinho que elas acrescentavam, e a Jacque é muito boa nisso. A Mayra, a caçulinha do grupo, sempre com um brilho radiante, a empolgação da juventude e a maturidade profissional que o grupo tem como cartão de visita. E a Vania... Quando falei com ela a primeira vez tive certeza que daria tudo certo com o parto da Ana e que ela era a pessoa certa pra isso. Brincando, eu a apelidei de “oráculo”, pois com ela não há pergunta sem resposta. O grupo reflete muito a índole dela, o que é um grande elogio. Ciência, astrologia, misticismo e humanidade resume o trabalho dessas anjinhas.
A VÉSPERA DO NASCIMENTO DA PIETRA
Dia 04/09/09 às 16:30 horas era o pico mais forte da mudança de lua, lua cheia. Ao contrário do que nosso médico pensava e, até ridicularizou nosso comentário de que estávamos esperando a Pietra para a mudança de lua, exatamente as 16:30 começaram fortes contrações e continuas. Às 17:30 dava contrações fortes e a Ana tinha que correr para o banheiro para fazer xixi, mais logo percebeu que não era bem xixi! Ligamos para Iara e ela, fazendo festa, já gritou: “parabéns amiga tua bolsa estourou, estamos indo para aí”. O que rolou é que a cabeça da Pietra já tinha passado um pouco do quadril da Ana, e quando contraia, o bebê subia e a água vazava, depois ela baixava e a cabecinha virava uma rolha. Até então nós imaginávamos que quando estourasse a bolsa alagaria a casa!
Trânsito caótico, obras na pista e a distância de mais de 100 quilômetros entre Floripa e Itajaí. As “Super Hanamigas” chegaram às 19:30, depois de ver, angustiado, a Ana ter terríveis contrações sem poder fazer muito para amenizar a situação, apenas abraçando para tentar absorver um pouco da dor e lhe falando palavras de motivação. Para minha surpresa a Ana se mostrou uma guerreira, sem reclamar e nem mesmo falar, só concentrada em seu corpo e no cosmos. Para uma pessoa que desmaiava toda vez que ia tomar injeção foi uma evolução astronômica.
HANAMIGAS EM AÇÃO – O Franco Trabalho de Parto
A Vania subiu com a Ana para avaliá-la, já estava com 5 cm de dilatação, botou um pouco de Rescue, um floral natural que estimula as contrações e logo a dilatação, e colocou um aparelhinho com descargas elétricas chamado Tens, o que aliviou bastante o desconforto das contrações e lá embaixo, ao som de Bob Marley, a Rê e a Iara se acabavam a carregar e montar uma infinidade de trecos, encher piscina, aquecer água. Dei uma força e depois subi para ficar com Ana, nesse meio tempo a Angela chegou também. 30 minutos depois vem a Vânia reavaliar a Ana - 8 cm de dilatação. Agora o bicho vai pegar, já tem Pietra querendo pintar na área. Descemos. A Iara deu um super abraço na Ana e arrumou o cabelo dela com muito carinho. A Ana foi pra piscina onde comentou que o relaxamento e alívio das dores foi fenomenal e eu atrás dela igual treinador de lutador, no corner, falando palavras de motivação, massageando, jogando água nela, dando uns beijinhos, um alongamentozinho nos braços e, dali contrações, cada vez mais fortes, e as Hanas assistindo e verificando o coraçãozinho da Pietra. Elas nos deixaram muito a vontade, deixando a natureza fazer sua parte.
O NASCIMENTO DA PIETRA – O Momento mais Emocionante da Minha Vida
Durante o trabalho de parto botei umas músicas de sons da natureza, no começo eram uns trovões e botei muito alto, aí diz a Rê: “ui Charles, estais assustando a gente”, e realmente naquele momento estava meio tenso. Ela baixou o volume, passou um tempo, e o curioso é que ela mesma foi lá e aumentou quando começou um barulho de cachoeira, que foi dando um clima. Depois disso entrou uma música linda, com o canto dos golfinhos, as Hanamigas se iluminaram todas, porque os golfinhos são os únicos mamíferos, além de nós, que no parto participa a mãe, o pai e uma parteira. Muito louco! Bom, aí o cosmos se abriu, começou a enviar uns raios de luz (tem foto e tudo, heheh), o clima ficou flutuante, me abracei forte a Ana e me desliguei desse plano, entramos na partolândia, éramos um só, eu a Ana e a Pietra, juntos no momento mais mágico de nossas vidas. Vi que as meninas estavam com um sorriso no rosto enquanto direcionavam um foco de luz na Ana. Fiquei curioso e fui espiar e já dava para ver um pedacinho do cabelo da Pietra, ai me arrepiei e já fugiu umas lágrimazinhas, pois caiu a ficha que a pequena estava chegando na área. Abracei a Ana e disse: “tá quase acabando, já vi o cabelinho da Pietra, logo vamos poder ver o rostinho dela que a gente tanto imaginou”, a Ana sorriu e se encheu de motivação para acabar o serviço, e a Pietra começou a vir com força total. O topo da cabecinha começou a aparecer e as Hanas já colocaram os aventais rosa e as luvas. Olhei elas paradas ali e comentei que pareciam uns anjos, que diziam para a Ana forçar na contração e depois aliviar para não romper o períneo, balançando o quadril em seguida pra Pietra voltar pra dentro. E foram várias vezes. Aí a Iara perguntou se eu estava com sede, pensei, e fui tomar água, ai percebi que queria ir no banheiro e estava lá fazendo o número 1 quando a Ana teve uma baita contração e quase que a pequena veio. Saí apressado e elas falaram que quase saiu, depois falando com a Iara a gente riu porque se fosse o número 2 tinha dado merda (kkkk), ia perder o parto da minha filha. Mas voltando. Mais uma contração e a cabeça saiu quase toda, fui espiar e falei pra Ana: “quase vi o rostinho dela.” Aí a Pietra não quis mais entrar. A Ana ficou bem de cócoras e tomou as rédeas. Ficamos assistindo a pitoca sair deslizando (às 00:54 horas), deu um mergulho, e a Vânia disse: “pega ela”. A Ana pegou direitinho e trouxe pro colo aquele pedacinho de nós toda coberta de vérnix, uma espécie de super hipogloss natural; aí ela abriu os olhinhos, olhou pra Ana, olhou pra mim, fez um beicinho e soltou o verbo. Cara! Pára tudo! Sem palavras pra descrever esse momento. Eu, bicho grilo, 32 anos, filho caçula, contato nenhum com criança, nunca tive muita afinidade e tinha medo de segurar filhos dos outros, ali parado olhando aquele bichinho lindo, tão frágil. Muita emoção, muitas lágrimas, não vou esquecer nunca esse momento e a cara emocionada das Hanamigas, em especial da Angela que nesse tipo de parto também era marinheira de primeira viagem. Ficamos namorando a Pietra um pouco na água, depois a Ana saiu da piscina sozinha super bem, foi dar o primeiro mama, enquanto esperávamos o cordão parar de pulsar e a placenta sair e eu que cortei o cordão umbilical. Mais tarde a Rê me deu abraço e disse: “você foi maravilhoso”, e eu até então nem tinha me dado conta da importância da minha participação no parto da Pietra.
“Machismo a parte, descobri que homem também pode parir, e foi fantástico!”
Me responda, onde você contrata um parto particular que te oferece 4 consultas pré-parto em seu domicílio, que começavam as 9:30 da manhã e acabavam 15 pro meio dia tomando um café na maior descontração, com pessoas amáveis, super interessadas na nossa integridade física e mental, dando todo o suporte imaginável? Nós pesquisamos e só encontramos preços abusivos e técnicas evasivas, práticas e rápidas para a equipe médica, mas para mãe e pro bebê nada. Para os defensores da cesária, que não foram poucos nesses 9 meses, só tenho a dizer: “foi parto natural, na água quentinha, em casa e com períneo íntegro, hehehh toma papudo!!!” KKKK
Nos primeiros exames a Pietra tirou nota máxima, 10, uma criança calma, super esperta, ativa, mas tranquila, gerada e parida com muito amor e informação.

CRÉDITOS FINAIS – Frescura de Pai Babão
Décimo segundo dia (hoje) acordei com uma dor esquisita no umbigo, até pensei: será que tem haver com o umbiguinho da Pietra, acho que não, é viagem! Aí a tarde fomos dar banho nela e o umbiguinho tava quase, quase caindo, e durante o banho descolou com uma cicatrização perfeita. Viagem ou não, sei que rolou!
Vou terminando por aqui meu livro, que parece até um diário de bordo, mas é uma experiência que vale ser contada, e assim, não tem dinheiro no mundo que pague essa vivência. Este ano financeiramente para nós não foi dos melhores, pois em dezembro acabou o contrato da Ana que é jornalista e trabalhava para a prefeitura, foi ano de eleição e mudou o partido, assim não a recontrataram e em janeiro descobrimos que ela estava grávida, aí quem que emprega? E pra fechar oportunizou de liberar uma sala para ampliar minha locadora de vídeo e não pude perder a oportunidade, mas entrar em reforma é sempre um caos - quebrar parede, trocar piso, pintar, trocar todas as prateleira$ - aí amigo, a coisa fugiu um pouco do controle. Mas quanto ao parto, valeu cada centavo, porque com certeza, essa é a melhor maneira de trazer alguém que você ama ao mundo.
“Viva ao parto domiciliar planejado e humanizado”
Super beijo a todas as Hamigas, adoramos todas vocês sem distinção.
Att
Charles - comerciário, músico, distribuidor de produtos naturais, ex-skatista, surfista, lutador de jiu-jitsu e agora, papai da Pietra.